Entre a cortina de cílios o vestígio luminoso do dia.O doce morango cremoso na boca se desequilibra.A polpa da fruta faz morada em meu corpo.Ar fresco em meu peito tão leve, tão solto.O estalo da porta anuncia a saída.Finalmente, o sol, me faz energia.
No banco, repouso a mente.A velocidade me faz enxergar diferente.Na bagunça de todo esse cinza, existe o azul, o vermelho.Olhares sem foco encontram um estranho no espelho.Tão pequenino no mundo, tão frágil, indefeso.
Tantas histórias, tantos pensamentos.Deixo-me estar ali, bem na confusão, bem no meio.Diferentes, no olhar, no beijo, no desejo.Iguais, no começo, no meio e no fim.As cores invadem, deserdam o meu pequeno espelho.
O céu parece hoje festejar, no silêncio sossego.No encontro amigável encontro o sorriso.Abre-se tão grande, gostoso, bonito.As palavras viajam até os meus ouvidos.São termos ora precisos ora indevidos.
São palavras que definem o nosso momento.As mãos em elegante coreografia se insinuam sem olhar.Os olhos teimam as palavras abandonar.Traem-se sem perceber o que estão prestes a contar.A lua e as estrelas já não moram mais no céu.Descem em meu rosto formando um véu.
Com a luz das estrelas e a grandeza da lua.Eu me torno mulher, eu me torno tua.Alegre, cantando, sorrindo lhe dou minha mão.E num pequeno segundo o tempo suspira então.

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