- Ah – disse a raposa – vou chorar.- A culpa é sua – falou o pequeno príncipe.- Eu nunca lhe desejei mal algum, mas você quis que eu o domesticasse...- É verdade – concordou a raposa.- Mas agora vai chorar – disse o pequeno príncipe.- É verdade – repetiu a raposa.- Então não lhe adiantou nada!- Isso me faz bem – declarou a raposa – por causa da cor dos trigais. – Depois acrescentou: - Vá olhar para as rosas de novo. Agora você há de entender que a sua rosa é única no mundo. Depois volte para se despedir de mim, e eu lhe darei de presente um segredo.
O pequeno príncipe foi embora para olhar as rosas de novo.- Vocês não são nada como a minha rosa – disse ele.
- Por enquanto, não são nada. Ninguém as domesticou, e vocês não domesticaram ninguém. Vocês são como a minha raposa, quando a conheci. Era uma raposa como mil outras. Mas, eu a tornei minha amiga, e agora ela é única no mundo todo.
E as rosas ficaram muito encabuladas.
- Vocês são belas, mas são vazias – continuou ele.
- Não se poderia morrer por vocês. É verdade, quem passasse distraído acharia que a minha rosa é igualzinha a vocês... a rosa que me pertence.
- Mas ela, em si, é mais importante do que todas as centenas de vocês outras rosas; porque foi ela que eu reguei; porque foi ela que pus sob uma cúpula de vidro; porque ela é quem eu abriguei atrás do biombo; porque foi por ela que mandei os lagartos (a não ser duas ou três que salvamos para serem borboletas); porque a ela é que escutei, quando se queixava ou se gabava ou, às vezes, até quando não dizia nada. Porque ela é a minha rosa.
E ele voltou para ver a raposa.
- Adeus – disse ele.
- Adeus – disse a raposa. – E eis o meu segredo, um segredo muito simples. É só com o coração que se pode ver direito; o essencial é invisível aos olhos.
- O essencial é invisível aos olhos – repetiu o pequeno príncipe, para não deixar de se lembrar.”
Para me encontrar, eu tive que me perder. Por um momento apenas, para encontrar em mim, o que posso me dar e te dar.
Foi preciso um momento de confusão, talvez um pouco mais longo do que eu imaginava, para encontrar em seguida o momento de reflexão, de atenção, o que me fez muiiito bem, muito bem mesmo.
O tempo me fez de vítima, o relógio parece correr num frenesi irritante e caótico, mas as madrugadas trataram de me dar alguns minutos a mais, senão...
A tampa achou a panela, o Romeu encontrou sua Julieta, mas desta vez com final feliz e festa com data marcada. Cedo? Não. Esperei 23 anos sonhando com esse homem, imaginando quem seria, esse rosto se revelou pra mim, aliás, esse corpo também.
E que corpo...E que rosto...E que coração...É meu e ninguém taca a mão.
Felicidade geral!
Percebi que não é só sofrendo, que se aprende. Aprendi muito, sem ter que discutir com alguém, sem ter que fazer alguém chorar. Aprendi, sem ter que chorar. Aprendi com o sorriso, com a alegria, no auge dos melhores momentos, na conversa tranqüila, assim, como quem não quer nada, no dia-a-dia.
Descobri, que é possível sim, bem possível, se fazer novos bons amigos, se a gente se permitir. Se abrir, não ficar com um pé atrás, e tentar conhecer de verdade o outro. Fiz boas e novas amizades com pessoas que nunca imaginei, e sinto que essas amizades podem e tem grandes chances de se tornarem velhas e fiéis amizades.
Claro, que tive que procurar, cobrar bem, sair de casa, tive disposição à beça, algumas claro, me desculpem a franqueza, não renderam nem o minuto, mas algumas estão se tornando surpreendentes e super interessantes, ah, e acima de tudo, verdadeiras.
Não preciso ter razão o tempo todo. Posso, e devo errar. Perguntar tem sido uma prática diária e muito compensadora. E muitas vezes, posso estar certa, e você, ou ele também. Cada um tem um modo de ver diferente, e o que é certo para um, pode não ser o certo para outro, e tudo bem, aprendi a respeitar a diferença, talvez se por no lugar do outro seja um exercício ótimo, pois me ajuda a compreender certos comportamentos e opiniões, que ao meu sentimento e aos meus olhos são completamente desnecessários ou ridículos. Isso não quer dizer que eu concorde ou assimile, mas compreendo e não julgo, apenas respeito.
Talvez, ainda precise aprender a me impor mais, houve muitos momentos em que não quis dizer nada, ou não quis dizer o que realmente pensava, pois não queria ver ninguém mal, ou até evitar atritos, e percebi que na verdade o que fiz foi apenas atrasá-los, pois mais cedo ou mais tarde, a coisa toda explode, e como explodiu, foi tudo literalmente pelos ares, e não sobrou ninguém nem pra dizer um tchau. Ai, que dificuldade em dizer não, uma palavra tão simples, não, e pra mim era quase um parto dizê-la, mas, até que nisso eu melhorei quase no finalzinho, mas deu tempo, ufa.
O mundo sofreu bastante, as árvores, o verde gritaram socorro. As estações: verão, inverno... ficaram completamente loucas, sem saber que hora chegar, que hora sair, num dia usei short micro, no outro casaco e meia de lã. A imprensa começou a dar um pouco, aliás, pelo tamanho da coisa, só um pouquinho mais de atenção à esse assunto do aquecimento global, que está muito grave.
Pela primeira vez na vida, estou completamente dependente de ar condicionado, e graças a Deus, posso me dar esse luxo, e quem não pode, agüenta? Indignação total com o maltrato à nossa mãe, nossa terra.

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